Logo Logo2

Pantera Negra (Black Panther, 2018) - Crítica

3 meses atrás - Visto 135 vezes

A fase 3 da Marvel trouxe alguns dos filmes que mais fogem da sua formula tradicional, sendo Pantera Negra o auge que mais se desvincula dela, entregando uma história madura, política, mais séria, com consequências, sem perder a diversão escapista e o mais importante, com algo muito relevante a dizer. A direção de Ryan Coogler é o que faz toda diferença, ele entende o poder dessa história e como ela é representativa para a sua minoria e assim abraça sua responsabilidade social com louvor e entrega um produto de respeito a história da negritude.

Ter um filme desse escalão, totalmente protagonizado por negros e com um herói líder da nação mais poderosa do mundo, africana, já carrega um peso, mas essa representatividade não está só por trás das câmeras ou em sua premissa, o roteiro é desenvolvido em um embate ideológico, por um lado um líder nato de seu povo, posto em conflitos internos para compreender que a paz é o melhor caminho, por outro um líder extremista que por motivos pessoais, acredita que rebater a violência pela violência é o mais justo.

T’Challa e Eric Killmonger não se espelham nas figuras de Martin L. King e Malcolm X atoa, ambos os lados da moeda tinha o mesmo objetivo e estavam “certos” em lutar por busca-lo, mas os diferentes métodos criavam conflitos entre eles, a mesma coisa acontece com os personagens do longa. A grande diferença está na imparcialidade sobre esses pensamentos, que leva a muitas reflexões, você entende cada um e não escolhe um lado para torcer, pois são muito bem desenvolvidos individualmente. Tanto que não importa muito a luta física entre eles no clímax, uma vez que o embate ideológico é tão rico e bem construído que o confronto ganha em emoção mesmo que não seja tão espetacular quanto poderia na ação.

Os efeitos visuais são ótimos mesmo que tenha seus momentos questionáveis, mas no geral eles são muito vistosos, bem como toda concepção visual daquele mundo. O design de produção lhe leva para dentro de Wakanda, os Figurinos e Maquiagem criam um universo afrofuturistico único que é engrandecido pela trilha sonora épica que respira cultura. Nas atuações, o prêmio de melhor elenco no SAG não podia ser mais justo, todos muito bem sincronizados e extremamente felizes de estarem ali presente, os maiores destaques ficam obviamente para os dois pilares: Michael B. Jordan no melhor vilão do MCU disparado e o Chadwick Boseman com uma imponência e personalidades muito presentes.

Pantera Negra transcende o gênero de super heróis com a riqueza de seu texto, a verdade na condução de Ryan Coogler, o visual, o elenco e principalmente sua importância representativa e bem sobreposta organicamente na obra, elevam para o nível de um dos melhores filmes de super-herói de todos os tempos, digníssimo de ser o primeiro do gênero a ser indicado a “Melhor Filme”, por que de fato ele tem calibre para esse patamar.

Nota:  🌟🌟🌟🌟1/2 (4,5)

Filmes Crítica Crítica Filme

Compartilhar nas redes sociais