Logo Logo2

John Wick: Um Novo Dia Para Matar (John Wick: Chapter 2, 2017) - Crítica

2 semanas, 3 dias atrás - Visto 30 vezes

Vivemos em um período cinematográfico onde os maiores sucessos de bilheteria se encontram em reboots, remakes, continuações ou franquias de popularidade alta. É estranho julgar isso no começo da crítica desse filme, pois ele acaba se encaixando em algumas dessas categorias (é uma sequência e mais um passo de uma franquia). O grande diferencial de John Wick: Um Novo Dia Para Matar é que, assim como o primeiro, ele não esboça nenhuma tentativa ou pretensão de se levar a sério ou tentar ser uma obra reflexiva/interpretativa como muitas atualmente, o objetivo dos realizadores é único: criar uma experiência divertida e agradável.

  • John Wick (Keanu Reeves) é forçado a deixar a aposentadoria mais uma vez por causa de uma promessa antiga e viaja para Roma, com o objetivo de ajudar um velho amigo a assassinar sua irmã e assim derrubar uma organização secreta, perigosa e mortal de assassinos procurados em todo o mundo. Só que ele é enganado e sua cabeça é posta a prêmio. Resultado: Wick terá que matar mais pessoas.

Iniciando pelos defeitos dessa continuação, logo de imediato fica claro o principal erro do segundo: a falta de motivação do protagonista. Dessa vez, John Wick não tem uma razão plausível para voltar a ativa, e isso afeta o envolvimento com o personagem, embora não deixe o mesmo menos interessante; a história demora um tempo considerável para realmente iniciar e falta carisma nos antagonistas: o Common mal registra sua presença na trama; a Ruby Rose até tem um conceito interessante a respeito de sua personalidade, infelizmente nem o roteiro e a atriz conseguem inserir uma real ameaça e o Riccardo Scamarcio personifica um vilão exagerado e patético que nunca representa um real senso de perigo.

Quanto aos demais aspectos da obra: Uau!

Primeiro, a evolução do universo é muito atraente, criando um submundo muito envolvente, maior em escala e cheio de ideias inteligentes, como o vendedor elegante na qual a especialidade é o comércio de armas ou um alfaiate que cria ternos elegantes e a prova de balas. Diferente do que é feito em outras obras, a expansão aqui permite inúmeras possibilidades para as continuações. Mais uma vez, é necessário elogiar a cafonice constante dos diálogos, gerando interações exageradas e divertidas pela quantidade de frases de efeito ("Diga a eles que vou matar. Eu vou matar todos eles") que acabam soando estilosas e acrescentam um charme a esse mundo.

E o que dizer das sequências de ação? A fluidez na duração e a harmonia entre coreografia, montagem e controle de câmera criam uma espécie de "dança mortal" que enche os olhos do público (há também uma perseguição de carros nos minutos iniciais, que é editada com muita agilidade, sem nunca deixar a confusão visual se instalar na cena), o gun-fu é muito bem utilizado aqui e se pudesse destacar a melhor cena do filme, certamente é aquela envolvendo espelhos no ato-final. Esteticamente, o filme continua muito chamativo: a Cinematografia continua a utilizar uma forte predominância de cores fortes e com um bom uso do Neon criam um universo muito pulsante, a Trilha Sonora do Tyler Bates reforça essa sensação com um emprego eficiente da guitarra, incluindo uma musicalidade energética. O Design de Produção e o Figurino continuam realizando um trabalho luxuoso e elegante dentro desse mundo.

Mas certamente, o maior destaque da obra é seu protagonista, Keanu Reeves. É compreensível que foi com Neo em The Matrix que o ator se consagrou no meio cinematográfico, no entanto, daqui a 20 anos quando estiver lembrando dos trabalhos da sua filmografia, o primeiro nome que irá aparecer em minha mente é o de John Wick. A quantidade de carisma e presença que Keanu injeta em Wick é deslumbrante, ele basicamente nasceu para esse personagem. Outros destaques são o Ian McShane e o Laurence Fishburne que aparecem pouco, mas dão interpretações muito competentes (além de ser muito interessante ver esse último contracenando novamente com seu antigo parceiro em cena no Matrix).

John Wick: Chapter 2 me oferece tudo que eu quero em um filme de ação com a proposta de não se levar a sério: excepcionais sequências de ação, dirigidas e coreografadas de forma fascinante, um universo bem expandido e uma estética pulsante que torna a obra alucinante. É o "mais do mesmo" elevado a última potência e um dos filmes mais fabulosos do gênero nessa década.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Filmes Crítica

Compartilhar nas redes sociais

Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.