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De Volta ao Jogo (John Wick, 2014) - Crítica

2 semanas, 3 dias atrás - Visto 26 vezes

É quase impossível não gostar - ou, no mínimo, simpatizar - com os filmes de ação dos anos 80: cheios de diálogos bregas e frases de impacto exageradas, personagens caricatos e repletos de carisma e sequências de ação impossíveis, alucinantes e com várias quebras de lógica. Foi exatamente dentro dessas características que David Leitch e Chad Stahelski conceberam uma das figuras mais marcantes da cultura pop atual. E o seu nome é John Wick.

  • Na história, John Wick (Keanu Reeves) é um lendário assassino de aluguel aposentado, lidando com o luto após perder o grande amor de sua vida. Quando um gângster invade sua casa, mata seu cachorro e rouba seu carro, ele é forçado a voltar à ativa e inicia sua jornada de vingança.

A direção de Leitch e Stahelski não se importa com a história, tanto que esse é o elemento mais fraco da obra: contada de forma agradavelmente simples, a trama é muito cíclica. Ou seja, a narrativa é muito repetitiva, se apoiando em uma fórmula básica (John Wick entra em um ambiente e mata pessoas) sendo executada a exaustão e causando alguns momentos ritmicamente cansativos. Porém, embora esse seja um erro válido, ele acaba não pesando com força nas qualidades pelo fato de que não é essa a proposta de John Wick. A real intenção aqui é criar um filme entretenimento, sem grandes pretensões de ser profundo ou reflexivo.

E funciona! O filme consegue ser muito impressionante, especialmente na ornamentação e coreografia de suas sequências de ação, cortesia dos diretores - que já foram coordenadores de dublês. Boa parte das cenas utilizam uma mistura eficiente entre tiroteio e golpes de kung-fu (chamada de "gun-fu"), dirigidas de forma limpa e sem utilização de recursos fáceis do gênero (câmera tremida, montagem compulsiva, etc), permitindo o público observar com deleite a "dança da morte" criada pelos diretores aqui. Como é uma obra que, discretamente homenageia os clássicos dos anos 80, há vários diálogos e frases de efeito cafonas que acabam soando muito melhor, graças o tom descompromissado.

Outra qualidade do filme é o seu apuro técnico: A Cinematografia realça as ambientações com um forte uso de cores vibrantes - especialmente o vermelho, verde e o roxo - e uma estética a base de Neon, oferecendo um charme a esse universo. A Trilha Sonora com uso de guitarra ajuda a inserir estilo a narrativa, assim como o luxuoso Design de Produção, especialmente nas sequências dentro do Hotel Continental (que, aliás, tem ótimos conceitos e ideias por trás de sua concepção) e o Figurino: constantemente os habitantes desse submundo se vestem com ternos elegantes e chamativos - até o próprio John Wick, que utiliza uma vestimenta totalmente escura, simbolizando a figura da morte.

O Keanu Reeves foi a melhor escolha para esse personagem. Já é fato que ele nunca teve capacidade de expressar emoções de forma convincente, sempre vendendo suas interpretações pelo enorme carisma e presença que o ator exerce, exatamente tudo que o John Wick precisava para funcionar. O elenco de apoio tem menos força que o protagonista: O Michael Nyqvist faz um antagonista realmente nefasto e ameaçador, só que o mesmo não pode ser dito a Adrianne Palicki, por exemplo, encarnando uma figura sem qualquer tipo de magnetismo com o público e completamente esquecível. Já o John Leguizamo e Willem Dafoe são desfavorecidos pelo roteiro, que não oferece funções para suas respectivas figuras.

Mesmo com algumas derrapadas, John Wick certamente não é um filme descartável, oferecendo uma estética vibrante, um apuro técnico fabuloso, excepcionais sequências de ação - tanto na direção como na coreografia - e com um protagonista carismático que faz sua presença ter impacto na narrativa. É uma bela homenagem aos anos 80, trazendo os melhores elementos daquelas obras e criando uma narrativa cíclica, porém envolvente e que vale ser assistida.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Filmes Crítica

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Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.