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Star Wars: Episódio III - A Vingança dos Sith (Episode III - Revenge of the Sith, 2005) - Crítica

1 mês atrás - Visto 41 vezes

ATENÇÃO: Esse texto contém Spoilers.

A diferença entre os dois episódios anteriores para esse é claramente notável: enquanto “A Ameaça Fantasma” e “Ataque dos Clones” tinham conceitos mal-explorados, personagens sem alma que proferem diálogos artificiais e decorativos em ambientes digitais pouco convincentes durante 2 horas de duração, esse terceiro capítulo reverte a maioria dos problemas encontrados nos antecedentes, inserindo energia, fluidez, emoção e comoção dentro de uma conclusão épica que evoca o espírito e os valores que transformam Star Wars em uma das maiores franquias da história da sétima arte.

É fabuloso ver como George Lucas (provavelmente auxiliado por alguém que fez o realizador notar suas falhas) soube inserir a alma da trilogia clássica na forma como conduz à narrativa e os acontecimentos da trama. Um dos acertos do roteiro é investir em uma trama mais centrada, sem constantes desvios da história principal, que é pavimentar definitivamente o caminho de Anakin Skywalker para o lado negro da força, assumindo o posto de Darth Vader e tornando-se o aprendiz de Darth Sidious.

E, um dos acertos da projeção, sem dúvidas, é todo o conflito de Anakin Skywalker, onde o roteiro justifica perfeitamente cada uma de suas motivações que o levam para o lado sombrio. O medo de perder a pessoa que mais ama, primeiramente foi materializado por Lucas na figura de sua mãe, Shmi e se personifica em Padmé Amidala, que ao revelar para o Jedi que está grávida, encontramos no protagonista uma mistura de felicidade e receio, a partir do momento em que começa a ter “visões” de sua amada falecendo no parto. O desespero leva o jovem Vader à completa angústia de não fazer a remota idéia para impedir esse acontecimento. Aliás, o texto de George é competente ao tornar a relação de Anakin e Amidala consistente e mais cativante, especialmente pelos atores demonstrarem uma química melhor que aquela vista no Episódio II.

A partir dessa angústia e medo, acompanhamos a relação de Anakin com Palpatine, que se aproxima cada vez mais do Jedi em conflito, culminando na – maravilhosa – sequência do teatro, onde o Chanceler conta a história de Darth Plagueis, um sith tão poderoso que era capaz de criar vida, com a intenção de apresentar a Skywalker às “virtudes” do lado negro da força. “O lado sombrio da força é o caminho para muitas habilidades que alguns consideram não-naturais” é a frase que atraí o protagonista, forçando o mesmo a perguntar: “É possível aprender esse poder?”. E a resposta de Palpatine é completamente objetiva: “Não como um Jedi”. Falando nisso, outro forte motivador para a queda do personagem é a descrença dele com o templo Jedi, mostrado durante toda a projeção e encontrando seu ápice no segmento na qual decepa o braço do Mace Windu, indiretamente ajudando o futuro Imperador a matar o mestre.

Muitas pessoas questionam se foi fácil demais ou não a queda de Anakin para o lado sombrio e acredito que não, afinal o mesmo se encontrava no momento mais conflitante e seu lado impulsivo permitiu a morte – temporária – de Skywalker e o nascimento de Darth Vader. Então, pode se argumentar que sua tentação foi “fácil demais” e até compreendo aqueles que pensam dessa forma (até pelo fato de Lucas deixar subtendido isso na maneira como escreve e dirige essa cena), porém discordo, visto que as características do personagem demonstradas aqui falam o oposto. Outro acerto do roteiro de Lucas é como trabalha a relação de Anakin e Obi-Wan: repleta de momentos jocosos e cativantes, percebe-se que a química dos atores está mais eficiente que a vista em “Ataque dos Clones”, oferecendo uma boa dinâmica “mestre e aprendiz”.

George acerta em mais um elemento que faz diferença no contorno da trama: o tom. Construído com um forte senso de melancolia, há uma carga de seriedade que reduz a quantidade de saídas cômicas, privilegiando uma estilização mais dura, dramática e até adulta em momentos isolados. A classificação “PG-13” não é sem um propósito, e os segmentos que comprovam isso é a chacina dos Jedis, após o mandato de Palpatine para a execução da Ordem 66 e o segundo é o massacre dos padawans por Anakin Skywalker (agora transformado em Darth Vader), um dos poucos exemplos de sutileza na direção de Lucas.

O mais surpreendente é a forma como George Lucas soube extrair a emoção de seu público, em boa parte pela ajuda musical da trilha orquestral de John Williams, evocando um senso de melancolia e tristeza angustiantes e imprimindo uma carga épica e grandiosa. As sequências de ação ainda encontram defeitos no uso exagerado de coreografias, porém a idealização imprime um charme e carrega consigo uma força que torna momentos como o confronto entre Anakin e Obi-Wan poderosos e importantes, fazendo o público sentir (e vale exaltar o maravilhoso monólogo de Ewan McGregor, onde Lucas se revela inspirado ao criar um diálogo complexo).

Tecnicamente, esse é o melhor de toda a nova trilogia: A Cinematografia ganha um destaque maior ao inserir frames belíssimos com o constante uso de tons quentes e planos aéreos exaltando o charme da cidade de Coruscant; os Efeitos Visuais estão muito mais refinados em comparação aos episódios anteriores, com exceção de alguns “Chroma Keys” que soam artificiais. Há mais ambientes construídos do que feitos digitalmente, por isso, vale exaltar o trabalho do Design de Produção ao construir cenários com uma rica atenção a detalhes.

Os minutos finais são fabulosos: Lucas imprime emoção e comoção em uma resolução épica que mostra o destino de Padmé, morta pelo ódio de Anakin que, em sua obsessão para salvar quem mais amava, foi o principal causador de sua morte; a entrega de Leia ao Bail Organa e o encerramento definitivo, onde Obi-Wan finalmente leva Luke aos seus tios e permanece no seu exílio, em Tatooine. No fim das contas, “A Vingança dos Sith” é um fechamento poderoso e memorável para uma trilogia irregular. Um dos melhores capítulos da franquia e, comparado a qualidade dos episódios I e II, isso é um feito considerável.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Filmes Crítica

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Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.