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A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty, 2012)

5 dias, 20 horas atrás - Visto 15 vezes

O atentado terrorista as torres do World Trade Center na manhã do dia 11 de Setembro de 2001, demolindo ambos os edifícios ao final da tarde daquele mesmo dia foi um evento que marcou fortemente o inicio do século XXI pela desesperança e medo que causou na vida dos norte-americanos durante uma década. E, como a arte - principalmente o cinema - é um reflexo de seu período, diversos projetos sobre o acontecimento foram realizados, assim como outros carregavam subtextos sobre a “guerra ao terror” e a caça desenfreada a Al Qaeda e seu líder, Osama Bin Laden.

Porém, muitos não prezavam pela honestidade dos fatos e pintavam um heroísmo forçado que tinha a intenção compreensível de oferecer esperança aos que se encontravam assustados com o desenrolar de toda essa narrativa. Mas, a falta de realismo da maioria dos trabalhos incitava um patriotismo que transformava a obra em uma exaltação americana enjoativa e pouco funcional. E como para cada regra, há uma exceção, “A Hora Mais Escura” de Kathryn Bigelow se mostra como a mais bem sucedida ao se desviar dessa glorificação gratuita.

Na trama, acompanhamos a agente da CIA, Maya (Jessica Chastain) que inicia seu papel na captura ao terrorista Osama Bin Laden de forma sutil e aos poucos, se transforma na figura principal na busca desenfreada pelo árabe que deixou uma áurea de medo e paranóia no território norte-americano por quase uma década.

Bigelow é uma diretora precisa e aqui procura abordar a guerra do Iraque e a caça ao Osama de maneira realista e intensa, trocando a estilização genérica que realizadores como Roland Emmerich e Michael Bay priorizam na abordagem dos soldados americanos e inserindo um olhar fidedigno da maneira como esses conflitos ocorrem e o comportamento dos militares, especialmente em uma situação onde a sede de vingança prevalece dentro do íntimo desses combatentes.

Há uma forte sensação de suspense envolvendo os atentados recorrentes que estimulam a tensão e paranóia do espectador a cada segundo da projeção, elemento esse reforçado pela narrativa, coordenada com intensidade e energia, mesmo nos segmentos onde os personagens se encontram dialogando. Falando nisso, outra virtude da obra são suas interações: Bigelow move as conversas de suas figuras com força e sem qualquer construção emocional, ou seja, frias e diretas, o que contrasta perfeitamente com a situação apresentada.

Porém o acerto do roteiro é nunca se posicionar em nenhum dos lados do conflito: as torturas “justificáveis” dos militares norte-americanos e o terrorismo impiedoso dos membros da Al Qaeda jamais classificam “certo” e “errado” na história, é uma visão polarizadora que engrandece a narrativa. Kathryn brilha também em aspectos técnicos: a câmera imprime uma sensação de tensão constante com o recurso do “shake in cam” empregado durante toda a projeção e a cinematografia acinzentada e sem vida representa bem a desesperança sentida naquele período.

Outro grande destaque do filme é sua interprete: Jessica Chastain preenche a tela com uma performance intensa e carregada, acompanhada de um arco primoroso onde acompanhamos uma agente frágil e inexperiente se transformar em uma mulher determinada e preparada. Os minutos finais são cobertos de intensidade e conduzidos com destreza por Bigelow, resultando em um encerramento ambíguo que levanta mais perguntas do que responde.

Acima de tudo, “A Hora Mais Escura” é um projeto honesto ao representar o conflito e a sua resolução através de um thriller implacável, repleto de questões morais e que retrata um período histórico sem recorrer ao patriotismo exacerbado e mostrando os fatos com clareza e com uma precisão cinematográfica fascinante. Se não é o melhor retrato da “guerra ao terror”, possivelmente é um dos mais excelentes que já foi realizado.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

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Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.