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Kong: A Ilha da Caveira (Kong: Skull Island, 2017) - Crítica

2 semanas, 1 dia atrás - Visto 36 vezes

É sempre bom encontrar blockbusters como “Kong: A Ilha da Caveira”: dirigido por Jordan Vogt-Roberts, o maior atrativo dessa produção é a maneira como conduz a sua trama, recheando o projeto com um visual característico que insere personalidade a uma história simples e objetiva. Em tempos de projetos esteticamente preguiçosos, temos uma jóia que merece destaque.

Porém, só é possível apreciá-lo caso tenha a capacidade de aceitar certos defeitos. Um deles é o nível de profundidade dos personagens apresentados: em sua maioria, seus dramas são resumidos a explicações superficiais e sem um grande desenvolvimento de seus desafios. Os diálogos também não funcionam com exatidão e o ritmo sofre com breves derrapadas que deixam às 2 horas exaustivas em momentos isolados.

Se for capaz de entender a proposta da obra, que jamais se leva a sério e apreciar o espetáculo estético da narrativa serão presenteados com uma das obras mais visualmente ambiciosas dos últimos anos. As cenas envolvendo o Kong são geograficamente coesas e complementadas por um CGI excelente e um trabalho de câmera preciso, acompanhando as sequências com tomadas abertas, ambientes claros e movimentos ágeis, possibilitando o público de acompanhar tudo que se ocorre.

Isso gera momentos deslumbrantes como o confronto do Kong com os helicópteros ou o mesmo combatendo os monstros no ato-final. A Atmosfera que Vogt-Roberts introduz remete aos dramas de guerra ambientados nos anos 70 – as referências ao eterno “Apocalypse Now de Francis Ford Coppola não são à toa – porém sem a seriedade dessas narrativas, já que o tom é mais leve e voltado para o entretenimento, como havia dito anteriormente.

O carisma do elenco é capaz de sustentar a superficialidade de suas figuras e tanto o texto como os intérpretes abraçam as caricaturas ao redor de suas personalidades: Tom Hiddleston é o herói destemido, Brie Larson é a “donzela” que demonstra não necessitar completamente da ajuda do sexo oposto, Samuel L. Jackson é o militar em busca de vingança e por aí vai. Mesmo sendo clichês, acabam funcionando a favor da proposta da narrativa e ainda que não venhamos a desenvolver uma conexão emocional, ao menos é jocoso acompanhar o desenrolar da trama ao lado deles.

Mas como disse antes, o foco de “A Ilha da Caveira” é a estética, e nesse ponto, Jordan Vogt-Roberts demonstra ser um diretor preparado: A Cinematografia que se apropria do contraste entre o esverdeado e o alaranjado, pinta enquadramentos deslumbrantes; a montagem é precisa e a Trilha Sonora recheada de clássicos do Rock insere um charme ao estilo da narrativa.

“Kong: A Ilha da Caveira” não é uma obra-prima, mas é um entretenimento de qualidade e feito com muito esmero de seu diretor e sua equipe técnica. O resultado é uma aventura simples e jocosa que enche os olhos com um banho estético maravilhoso.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

Filmes Crítica

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Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.