Logo Logo2

Especial Trilogia Bourne (2002-2007) - Crítica

2 semanas, 3 dias atrás - Visto 16 vezes

A Identidade Bourne (The Bourne Identity, 2002)

No primeiro filme da franquia, somos apresentados a Jason Bourne (Matt Damon), que é encontrado por um barco boiando na água. Ao acordar, ele se encontra sem memória, com dois tiros nas costas e um número de conta bancária registrado em um aparelho encontrado no seu quadril. Então, ele decide descobrir quem realmente é, enquanto o governo dos Estados Unidos começa a caça-los.

O que tornou A Identidade Bourne um mega sucesso em sua época de lançamento foi o simples fato da franquia humanizar o seu agente secreto: Bourne é um personagem extremamente mais complexo que o James Bond, por exemplo. A busca pela identidade e o desamparo emocional dele, faz com que o espectador se veja investido em sua jornada de auto-descoberta.

O Matt Damon foi a escolha perfeita nesse papel, ele entrega muito bem a dualidade de seu protagonista: ao mesmo tempo que convence como um agente implacável, ele consegue entregar o lado dramático e em constante conflito de seu personagem. A Franka Potente, o Chris Cooper e a Julia Styles estão bem, mas a estrela de The Bourne Identity é (logicamente) o seu protagonista.

O Roteiro é o charme do filme: a trama central é muito empolgante e envolvente, o desenrolar dos acontecimentos é energético, mas sabendo o momento de deixar a narrativa fluir, além de se desviar da maioria dos clichés típicos desse gênero, com um enfoque maior na trama íntima do protagonista. Os diálogos são ótimos, entregando elementos que ajudam a história progredir.

E as sequências de ação são inacreditáveis, desde a parte da coreografia, até o trabalho de Montagem, tudo é extremamente bem feito e gera duas sequências memoráveis: a luta do Bourne com um dos agentes no começo do segundo ato e a perseguição no meio do filme. O principal problema de Identidade Bourne na minha visão, é a estética visual que remete demais a outros filmes do gênero de ação, especialmente a cinematografia.

A Trilha Sonora é genérica e sem inspiração e, eu não poderia deixar de citar os horrorosos Chroma-Keys, com alguns momentos que são de embrulhar o estômago. Fora esses problemas, A Identidade Bourne é um exemplo a ser seguido no gênero de ação e, mesmo não sendo o melhor da franquia é um ótimo início para uma franquia de muito sucesso.

Nota: ★★★★

.

A Supremacia Bourne (The Bourne Supremacy, 2004)

A segunda parte da franquia de ação e drama governamental mostra Bourne sendo incriminado injustamente por um assassinato em uma missão do governo americano e voltando a ser o procurado número um do serviço secreto norte-americano, além de estar sendo caçado por um assassino letal (Karl Urban).

Logo de cara, é visível que a trama desse filme é muito mais complexa que a do anterior, o desenvolvimento é muito interessante, o ritmo é perfeito e a história é muito bem escrita, cheia de reviravoltas e momentos inesperados e elementos que terão uma grande consequência no próximo filme, além dos excelentes diálogos e um pouco mais de interações emocionalmente carregadas.

E, é visível também a mudança visual da obra, muito pela direção do excelente Paul Greengrass (de filmes como Zona Verde e Capitão Philips): A Cinematografia esverdeada dá um estilo próprio ao seu filme, a Trilha Sonora é muito melhor e mais “original” que a do filme anterior. Mas a maior mudança é, talvez a mais discutível: o uso da câmera tremida.

Nos dias atuais, o maior mal do cinema de ação é conduzir suas cenas pelo uso da câmera tremida e cortes excessivos, que foi apresentado pela franquia do Bourne. Estou no meio do trilho sobre o uso da técnica: quando bem utilizada e dosada, ela pode gerar bons frutos (A Hora Mais Escura, por exemplo), e isso é feito aqui. As sequências de ação são muito eletrizantes, com três sequências de grande destaque, que, além de muito bem coreografada, tem uma excepcional montagem.

O diretor só perde um pouco a mão nos momentos que ele utiliza a shake-in-cam fora das cenas de ação, mas dura pouco tempo. O Matt Damon continua convencendo como um agente emocionalmente complexo e muito astuto e inteligente, que está sempre um passo a frente do governo. A Joan Allen é outra grande surpresa, fazendo uma personalidade perspicaz e focada, enchendo a tela de carisma

Infelizmente, a narrativs foca tanto no Jason Bourne, que esquece de dar um pouco mais de destaque a outros personagens importantes. A Julia Styles não tem nada para fazer aqui, desperdiçando o talento da atriz e uma personagem muito interessante como a Nicki Parsons. O Brian Cox precisava de um desenvolvimento mais profundo de seu “ódio” pelo Jason Bourne e o Karl Urban precisava de mais camadas para convencer como um antagonista ameaçador.

A Supremacia Bourne evolui perfeitamente tudo que tinha funcionado muito bem no primeiro filme e entrega um filme divertido, muito bem escrito e interpretado que, mesmo com suas pequenas derrapadas, é um excelente drama de ação que deve ser visto.

Nota: ★★★★★

.

 

 

Filmes Crítica Netflix

Compartilhar nas redes sociais

Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.