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Homem-Aranha: Longe de Casa (Spider-Man: Far From Home, 2019) - Crítica

4 meses, 2 semanas atrás - Visto 127 vezes

‘Homem-Aranha: Longe de Casa’ finalmente está entre nós e felizmente representa mais um acerto da Marvel Studios. O filme cumpre com uma folga considerável a missão de ser ao mesmo tempo o epílogo da Saga do Infinito e o prólogo do que está por vir na franquia, inserindo o Peter Parker de Tom Holland de maneira ainda mais profunda no universo e respeitando todo o legado tanto da franquia quanto do personagem. Tudo isso seria inútil se o filme não fosse suficientemente divertido para funcionar individualmente, mas ele não só é, como se destaca como um dos mais divertidos da Fase 3, que por sua vez é a melhor até aqui.

 

Inicialmente, o filme se apresenta como uma verdadeira comédia romântica adolescente dentro dos moldes estabelecidos por John Hughes, e o resultado disso é o primeiro ato mais engraçado envolvendo o personagem até agora e um eficaz mergulho naquele contexto, o que envolve a retomada fortalecida da empatia estabelecida com os coadjuvantes em ‘De volta ao Lar’. Tudo isso é feito sem que o filme se esqueça de demonstrar um profundo entendimento da essência do seu protagonista, que se estende ao longo de toda a projeção.

 

Apesar de apresentar algumas “complexidades” provenientes do universo Marvel, o cerne do filme se encontra no contraponto entre a vida cotidiana e os afazeres de super-herói. Deste modo, temos aqui dois filmes bem equilibrados dentro de um só: o filme de super-herói que faz alguns desvios interessantes da fórmula; e o filme de férias sobre um adolescente um pouco desajustado tentando conquistar a garota.

 

De maneira bastante inteligente, a onipresença do mártir de Vingadores: Ultimato se torna o principal peão de movimentação do filme. Além de acionar o drama do personagem principal e carregar o fluxo da trama, ainda manipula o emocional do público. Se aproveitando disso, o roteiro ainda revisita fatos e personagens até então supérfluos e os ressignifica dentro desse episódio da saga. É um texto sincronicamente corajoso em desafiar algumas batidas de praxe do gênero e defectivo em obedecer a outras. Isso fica bastante claro em uma cena do segundo ato, onde há uma reviravolta que realmente transforma o filme (coisa pouco vista na franquia), mas em seguida a esmiúça por meio de uma verdadeira bomba de expositividade (vício habitual).

Porém, há de se reconhecer que o texto acerta muito mais do que erra. Se por um lado ainda está presente a teimosia em inserir algumas piadas em momentos inconvenientes quebrando a tensão, a esmagadora maioria das tiradas humorísticas funcionam (há uma recorrente hilária); se alguns diálogos são previsíveis, outros trabalham um comentário social efetivo para a época das fake news, e não para por aí.

 

A partir do referido ponto no meio do filme, um ímpeto tanto textual quanto imagético se estabelece, permitindo interessantíssimos desvios do óbvio. Se designa uma intrigante atmosfera de incerteza e questionamento que perdura até o ato final suplementando algumas sequências visualmente espetaculares (acho que não devo falar mais que isso sobre essas).

 

Ainda sobre o visual, se destacam a cinematografia que é ousada além de trazer uma abordagem vistosa de alguns pontos da Europa, os ótimos efeitos visuais, e a competente montagem. Os dois últimos cumprem uma função essencial na excelente administração da ação desse filme. As sequencias são eletrizantes e imersivas, nunca deixado se perder o senso de geografia da cena.

 

Já em termos de atuação, não temos pontos negativos. Confirmando-se ou não o plano de manutenção duradoura de Tom Holland nesse papel, não há como negar o talento, o conforto crescente e o carisma dele interpretando Peter Parker. Jake Gyllenhaal, mais uma vez faz jus à sua fama de ser um dos melhores atores de sua geração, desenvolvendo com perfeição todas as nuances de seu Mysterio, e não são poucas. Zendaya (MJ) é finalmente elevada a uma condição de mais protagonismo, e segura a barra com destreza. Também temos mais de Jacob Batalon (Ned) e Tony Revolori (Flash) que felizmente estão ainda melhores do que no filme anterior.

 

É redundante falar de Samuel L. Jackson como “Nick Fury” (entendedores entenderão as aspas), mas a forma como ele é escrito nesse filme realmente merece uma observação. Ao contrario do personagem noventista bobalhão de Capitã Marvel, aqui o humor situacional dele se mostra no polo contrário, na dureza e na falta de empatia do personagem. É mais fiel à sua natureza e mais engraçado.

 

Homem-Aranha: Longe de Casa é, com o perdão pelo trocadilho horrível, uma teia de boas ideias, alcançando em diversos termos um êxito acima do esperado.

Nota: ⭐⭐⭐⭐

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Sobre o Autor

Breno

Colaborador, crítico de filmes.

Um baiano totalmente apaixonado por cinema desde que andava de velotrol pelos corredores simétricos do Hotel Overlook, hoje perseguindo qualquer migalha da flor perfeita e rara do conhecimento como o Col. Douglas Mortimer persegue sua vingança. Músico de quartinho, fã dos Beatles, corintiano e estudante de Direito nas horas vagas.