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Turma da Mônica: Laços (Turma da Mônica: Laços, 2019) - Critica

4 meses, 2 semanas atrás - Visto 71 vezes

Nasce um jovem clássico do cinema nacional, absolutamente necessário na quebra de paradigmas de gênero, tão limitados ao drama e à comédia no cenário brasileiro. Daniel Rezende abraça a responsabilidade de estar transfigurando para as telas esse que, talvez seja o maior patrimônio do entretenimento brasileiro, e com muito respeito, dedicação e honestidade, pega toda a essência do material que transcende inúmeras gerações nas histórias infantis e, sem apelos baratos nostálgicos, cria uma aventura com o mesmo e encantador efeito.

Ele assume sem vergonha a identidade mais ingênua dos gibis, leviana e sem desafios grandiosos propositalmente para o foco ir mais no íntimo da relação de amizade entre eles, nos laços a serem formados pela superação de seus medos, sendo isso o que está verdadeiramente em jogo. Uma escolha facilmente desagradável aos olhos de muitos, dramaticamente, pois a jornada se torna pouco consequencial, principalmente por não ser sobre amadurecimento, mas isso faz parte da proposta de resgate á aquela unidade sessentista da infância mais pura, não caindo em armadilhas fáceis de modernização barata, para além do que propunha a "graphic novel" na qual é baseado.

Conversando com um linguajar bem típico dessa geração, mas ainda desdenhando toda uma galhofa “boba” e “ultrapassada” na forma a qual constrói seus personagens dentro de uma identidade muito quadrinesca. Há um equilíbrio muito pensado nesses dois polos. Periodicamente, usa a linguagem em onomatopeias, outra hora se comunica através de gírias mais típicas atuais, mas no geral o espírito lúdico do formato e a modernização conversam através dos próprios elementos cênicos, como as cores, figurinos, cenários e trilha sonora, tudo para o mergulho do passado ser natural no presente pela harmonia na qual eles se combinam.

A união faz a força até na dinâmica do elenco, perfeito na escolha do "casting", embora tenha talentos individuais ainda a se maturar por conta de uma teatralidade evidente, característica de atores mirins. Rezende os controla bem quando separados, para permanecer ao máximo num nível condizente de verossimilhança, e quando juntos, soltá-los e deixar a química e o carisma tomar conta da tela e amplificar a aventura em níveis emocionalmente mais relevantes.

“Turma da Mônica: Laços” é a adaptação ideal de um conto muito territorialista, mas expansivo pelos valores icônicos e fiéis a índole apaixonante dos personagens atemporais aos olhos infantis.

Nota: ⭐⭐⭐⭐1/2 (4,5)

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