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Toy Story 4 (Idem, 2019) - Crítica

4 meses, 2 semanas atrás - Visto 109 vezes

Lembro que, quando tinha saído da sessão de "Vingadores: Ultimato" estava muito reflexivo sobre a temática da despedida, um dos componentes que movimentam a narrativa daquele grande evento. E se tive esse sentimento com um universo e personagens na qual tinha pouco tempo de afinidade, o que poderia dizer de Toy Story, na qual acompanho desde os 8 anos e que testemunhei  as inúmeras aventuras daquele grupo que, a cada obra, me transmitia belas mensagens e arrancava lágrimas ao brincar com a empatia e carinho que nutria por aquelas figuras. Por toda essa introdução, vale dizer que não era necessário um quarto filme da franquia, especialmente depois do tocante encerramento feito no antecessor. 

Felizmente, Toy Story 4 não é um caça-níquel barato e - espero que definitivamente - encerra a jornada de seus personagens com uma aventura divertida e genuinamente emocionante. 

  • Na trama escrita por Andrew Stanton (WALL-E) e Stephany Folsom, Woody (Tom Hanks), Buzz Lightyear (Tim Allen) e o resto da turma embarcam em uma viagem com Bonnie e um novo brinquedo chamado Forky (Tony Hale). A aventura logo se transforma em uma reunião inesperada quando o ligeiro desvio que Woody faz o leva ao seu amigo há muito perdido, Bo Peep (Annie Potts).

É quase desnecessário ressaltar a qualidade da animação digital em um filme da Pixar, mas em Toy Story 4 eles ultrapassaram a barreira do realismo. Logo na sequência inicial, que se passa na chuva, o cuidado com o plano de fundo e com a forma como a luz e sombra atuam sobre os personagens e objetos do ambiente é espantosa, com um fotorrealismo exuberante. A produção de arte é muito detalhista, especialmente nas sequências dentro do antiquário, onde a quantidade de elementos é inúmera e fascina pela verossimilhança dos mesmos. A Trilha Sonora do Randy Newman, mesmo sem criar nada inédito, continua eficiente ao impulsionar emoções sem nunca soar manipulativa.

Falando em emoção, o maior acerto dessa continuação é nunca forçar o emocional do espectador com momentos manipulativos. A comoção vem de forma natural e espontânea, graças ao cuidado do roteiro com os personagens e a relação entre eles. Isso culmina em um ato-final tocante e poderoso, incitando as belas mensagens trabalhadas durante a projeção. Aliás, as temáticas abordadas pelo texto de Stanton e Folsom são muito profundas para um filme voltado para o público infanto-juvenil, tais como a rejeição, abandono, o poder dos brinquedos e como ajudam uma criança a enfrentar traumas - há uma cena inteira no encerramento com relação a isso - união, a importância da família e a amizade. 

Muito disso vem pelos personagens, que a cada filme conquistam a proeza de serem mais humanos, embora sejam apenas brinquedos. O destaque certamente vai para as novas figuras: Forky, um spork (uma mistura de garfo e colher) que rende alguns dos momentos mais cômicos da obra graças ao seu nervosismo constante; Ducky e Bunny, responsáveis pelo alívio cômico da narrativa; Duke Kaboom, que diverte com seu exibismo constante; Gabby Gabby, uma "vilã" extremamente compreensível em sua motivação e Giggle McDimples, uma policial com um senso de humor afiadíssimo. 

Mas o destaque aqui é todo o núcleo envolvendo o Woody e seu par romântico, Betty, que se faz presente aqui completamente diferente da imagem anterior de "dama indefesa". Dessa vez, Betty é uma personagem independente e forte, que é capaz de se virar sozinha, elemento que atualiza a obra nos tempos atuais onde a temática do empoderamento feminino tem muita força. A relação de parceria e admiração das figuras carrega o subtexto central de Toy Story 4: Memórias. Desde do flashback da abertura essa temática se estabelece e, é trabalhada durante o desenrolar da narrativa. O reencontro entre Woody e Betty reforça esse sentimento, o apego emocional do protagonista com seu antigo dono, Andy e vários outros momentos.

O destaque aqui é o próprio Woody: a jornada dele consiste em encontrar uma nova função para si, já que não é mais o favorito de Bonnie, ficando constantemente esquecido no armário. E, é a partir do reencontro - e da relação - dele com Betty, sua amizade com Buzz e o zelo que nutre pela "família" é o que pesará na decisão tomada pelo próprio no ato-final. De certa forma, esse filme existe com o propósito de encerrar a história do Woody. Necessário? certamente não, mas a maneira que o roteiro constrói e trabalha esse arco emocional permite que sua existência seja justificada. Os demais personagens são tratados como coadjuvantes, o que é compreensível, mas acaba se tornando decepcionante. 

A história é simples e ágil, mas não incomoda pelo fato de que essa franquia nunca precisou de tramas elaboradas e complexas, já que seus personagens e temas faziam isso. A Estrutura Narrativa faz um ótimo uso da "fórmula Pixar", não é original, mas não atrapalha a qualidade da obra como ocorreu em trabalhos anteriores a esse. Outro destaque do roteiro são os diálogos: as interações oscilam entre o dramático, emocionante e o jocoso, sem perder o Tom aventureiro do projeto (vale ressaltar as entradas humorísticas, sempre funcionais e equilibradas).

"Toy Story 4" é uma continuação emocionante, jocosa, engraçada e complexa pela abordagem de seus temas. É o encerramento belo e uma despedida comovente que se posiciona como a melhor animação do ano até o momento.

Nota: 5/5

Filmes Animação Crítica

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Sobre o Autor

João

Antigo Colaborador.