Logo Logo2

X-Men: Fênix Negra (Dark Phoenix, 2019) – Critica

3 meses, 1 semana atrás - Visto 63 vezes

A franquia X-Men sempre foi a mais ousada do mundo de super-heróis no cinema, mas a falta de organização do universo, levava consigo sucessivos recomeços dentro de uma bagunça temporal incontrolável. “Dark Pheonix” chegava para finalmente dá um fim nesse ciclo e proporcionar expansões para uma geração promissora, mesmo com o clima de corrigir o passado em uma nova abordagem do arco da Jean Grey, entretanto essa expansão teve de ser interrompida pela compra da Fox pela Marvel.Esses fatores externos claramente prejudicaram diretamente diversas decisões do roteiro a campos mais conclusivos que não faziam aparentemente parte da proposta original.

O resultado não veio a ser um “Esquadrão Suicida” ou “Quarteto Fantástico”, existe até uma conversa coerente entre os polos, a redução da grandiosidade do universo, de certo modo até contribui para o valor mais intrínseco do arco principal. A Fênix é colocada como um ser de poderios incalculáveis, seria fácil, mais uma vez adentrar no erro de “Apocalipse” de querer colocar o confronto contra ela em uma escala épica desproporcional com os heróis, só a fim de adentrar em um espírito mais quadrinesco e com consequências falsas. Felizmente o roteiro de Simon Kinberg vai mais no íntimo da Jean Grey e o conflito se desdobra a partir do lidar com seus poderes, eles representam uma monstruosidade ou um fator divino?

Quando o texto foca nesse arco acerta muito, principalmente por envolver uma ótima desconstrução do Xavier em uma espécie de conflito entre seu ego contra a responsabilidade paterna. Sophie Turner, Macvoy e o elenco em geral acrescentam muito as linhas de texto perdidas, dando vivacidade nas viradas mais abruptas ou nos dramas mais fáceis. Infelizmente por mais que exista uma vontade do roteiro em celebrar esses heróis, isso é reduzido a um escopo fechado. Se tornando mais desculpas para a ação e para o conflito prosseguir, do que ideias necessariamente exploradas.

É quase um sacrifício controlado, o roteiro quer correr riscos por não ter nada a perder, mas nunca de fato entrega essa “perca”, só em momentos específicos já previsíveis. Ainda há boas surpresas resguardadas, principalmente no que diz respeito a baixa censura gráfica dentro de uma seriedade convincente do tom, guinada por uma épica e intimista trilha de Hans Zimmer que consegue entregar a identidade mutante dos temas clássicos em algo mais melancolicamente grandioso, sendo o ponto mais alto do filme por valorizar todos os seus bons elementos.

“Fênix Negra” passa longe da decepção “prevista” embora ela provavelmente será encaixada assim para os demais preocupados em futuros de universos compartilhados do que em grandes e boas histórias e essa é mais uma delas que foi bem contada. No monopólio Marvel, não há espaço nem para um fim respeitoso com o legado dos percursores de tudo no gênero, a franquia que possibilitou a festa, agora encerrada de forma apressada, ilógica e que nunca pode evoluir como queria para novos horizontes promissores.

Nota: ⭐⭐⭐

Filmes Crítica franquia Crítica Filme Lançamento Estreia sequência continuação

Compartilhar nas redes sociais