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Rocketman (Rocketman, 2019) - Critica

3 meses, 2 semanas atrás - Visto 119 vezes

Dexter Fletcher foi chamado para completar “Bohemian Rhapsody” após a demissão de Bryan Singer, provavelmente por conta desse projeto. São notáveis as semelhanças, principalmente pensando em como elas não eram orgânicas dentro daquele filme, pelos conflitos de ideias entre dois. Fletcher não pensa suas cinebiografias como algo informal verosímil e completo, mas sim um resumo fantasioso de um recorte, recheado de liberdades criativas para interpretar a essência do astro em divergência com seu lado humano.

Em “Rocketman”, percebe-se uma liberdade muito maior do diretor em assumir suas elipses desses momentos factuais importantes na sua vida artística, como forma de montar um estudo de personagem através das músicas criadas pelo próprio. É até clichê contar a história através da música, mas os encaixes são perfeitos dentro da estrutura psicodélica dentro de um confessionário do próprio artista, onde ele reimagina sua vida em memorias afim de entender o que levaram ele até o vício completo em drogas, sexo e rock’n roll. Vira quase um musical clássico nesse sentido, onde todos os personagens recriados vão está em algum momento cantando em conjunto as melodias em tempos preparados e cenários em sua maioria surrealistas.

Isso justifica uma montagem mais vídeo clipesca e serve como transições ideias para os entrecortes da falsa linearidade biográfica. Falsa porque mesmo seguindo a tradicional linha de ascensão, queda e redenção, ela novamente pela fantasia vai de ponto a ponto através de quebras propositalmente dispersas, conversando entre si quando olhados para dentro da proposta temática. Entender o que é o Elton John é mais importante do que saber sobre sua carreira musical ou até mesmo pessoal, essas informações estão a disposição em qualquer lugar, mas como ele chegou aonde chegou, o que levou ele até tal caminho, é algo que merece ser visto em encenação.

Para isso, o sonho vira uma estratégia interessante para ludibriar possíveis fragilidades do roteiro, que poderiam ser incomodas se o filme o foco dramático não fosse muito bem resolvido, além de claro, um ator tão bem encarnado no papel principal, como foi o escolhido. Taron Egerton é o Elton John, mesmo com suas limitações dramáticas como ator em momentos mais decisivos, ele convence completamente pela caracterização, trejeitos, sotaque e principalmente na voz musical. Recriar a voz do músico é uma tarefa arda, quanto mais ainda compor toda sua coletânea de clássicos a sua maneira, só por esse desafio a mais, merece um louvável reconhecimento.

“Rocketman” não é tão empolgante quanto “Bohemian Rhapsody em termos de escapistas por exemplo, além de ter seus traços iconólatras e superficiais como foi no último filme do cineasta. Contudo, nessa nova fantasia dos relatos do artista consegue ser honesta ao destrincha bem a personalidade do pianista lendário que com mais de 50 anos de altos e baixos se permanece de pé como a perfeita música de encerramento diz.

Nota: ⭐⭐⭐1/2

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