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Game of Thrones: Especial – Parte 2 (Temporadas 5° a 7°, 2011 – 2019) – SEM SPOILERS

3 meses, 4 semanas atrás - Visto 71 vezes

5° Temporada (2015)

Guinada por 4 anos e 5 livros para se basear, a 5° temporada de Game of Thrones estava diante de em um desafio novo: para onde ir? É nítido logo a princípio o desnorteamento dos produtores na criação de novos núcleos desprendidos do material original, ainda que tivesse muito conteúdo extra não explorado, a grande maioria não conversava tanto com o foco direcional que vinha sendo trabalhado na série e diante do seu auge, a escolha de seguir com eles não parecia a ideal, contudo a decisão tomada deu o mesmo resultado. A estruturação da série voltava a ser algo parecido com o visto na 2° temporada, com a diferença que lá o desenvolvimento dos personagens tinha uma função já pensada para futuros momentos decisivos e aqui soava avulsa e sem uma clara ideia aonde iria levar e de bônus várias subtramas desinteressantes.

Era quase uma extensão proposital da vida da série até ver se o Martin iria conseguir terminar o seu próximo livro, nisso o ritmo dos acontecimentos mais relevantes, ficavam alongados muito além do necessário. Ao menos a parte técnica disfarçava bem esses erros, a edição sempre num bom trabalho de distribuir organicamente os núcleos de modo a não os tornar cansativos. A estratégia até funciona para segurar o público numa expectativa constante para algum momento decisivo grandioso e possivelmente inesperado, uma vez que o texto de Got ainda se mantinha afiado e a epoca ainda tinha a coragem de tomar certas decisões e ao menos depois de tanta enrolação, elas são devidamente tomadas.

Os últimos 3 episódios recompensam bastante a falsa espera através do desenvolvimento de personagens, certamente dando uma sobrevida a temporada e a fechando em alto nível, com uma das melhores batalhas da história da TV em Hardhome e uma sesson finale perturbadora. Por mais que não tivesse um planejamento entre o desenvolvimento para o final, ao menos essa falta amplificou o fator surpresa para o final ser tão memorável. Assim, mesmo sendo a mais fracas das temporadas até então, perdida em quais ideias a trabalhar para o futuro, ela ganha muitos pontos por manter aquela boa e velha subversão nos momentos decisivos que tornam essa série tão grandiosa.

Nota da Temporada: ⭐⭐⭐


6° Temporada (2016)

Tendo em vista que Martin não conseguiria escrever a conclusão da série a tempo do planejamento do fim, os produtores receberam ao menos um norte para qual o escritor queria para a história e com base neles, a partir dessa temporada, o roteiro viria a afunilar toda a complexidade de tramas em direcionamentos mais objetivos visando um desfecho e assim desvinculando um pouco de características essências da série em apreços geográficos, intrigas mais interpessoais dos personagens e claro, as famosas reviravoltas.

Não que elas não estejam presentes, por exemplo, a grande revelação do Hodor já se encaixa como um dos momentos mais surpreendentes da série, contudo os desdobramentos gerais pareciam previsíveis. E por mais que fossem, não tinha o menor problema, pois dentro dos arcos de transformações e evoluções dos personagens, todas as decisões eram coerentes com a essência vigente da desconstrução da predestinação da mitologia, principalmente na figura dos protagonistas: John e Daenerys. Ambos passaram por inúmeras provações para se tornarem personagens dignos ao trono pelos seus próprios méritos, assim como a Cersei no lado oposto, sacrificando tudo para estabelecer a tirania ao poder. Cada um só precisava passar por um último teste para fechar esse arco já bem desdenhado e dentro disso, a serie não podia executar de forma mais grandiosa.

Até mesmo os arcos paralelos a isso têm seus devidos desfechos sendo afunilados de forma tão coerente quanto esses principais. Contudo, são nos principais que o roteiro brilha ao propor soluções de uma escala épica jamais vista na tv de forma muito bem preparada. Sem a enrolação ou o desnorteamento da temporada anterior, os momentos decisivos se intensificam em altíssimo nível, sem precisar de consequências drásticas para serem impactantes pelo cuidado a qual foram construídos. A “Batalha dos Bastardos” e “Ventos no Inverno” justificam todas as decisões tomadas e proporcional um espetáculo visual e narrativo como poucos episódios. Intensamente chegando em uma fantástica crescente até um final apoteótico, a 6° temporada fecha brilhantemente o ciclo da história e a prepara de forma muito promissora para o seu desfecho.

Nota da Temporada: ⭐⭐⭐⭐1/2

 

7° Temporada (2017)

OBS: PEQUENOS SPOILERS A SEGUIR

Cada vez mais próxima de uma conclusão, o jogo dos tronos já estava completo e agora, a guerra era apenas o que faltava, além de é claro o embate da grande ameaça dos White Walkers. Mesmo com o número reduzido de episódios, era totalmente possível, tendo em vista a habilidade dos roteiristas no afunilamento das tramas de forma objetiva e coesa na temporada anterior, que a conclusão dividida em duas temporadas se organizasse de forma parecida, a entregar o desfecho épico tão aguardado. Na primeira metade da temporada, ele estava sendo até bem encaminhado, resolvendo várias pendencias no tempo certo, com objetividade, mas respeitando o limite das regras do universo pseudo realista já estabelecido.

Infelizmente, o roteiro vinha começando a cair em armadilhas fatais para seu futuro, ao tentar encaixar elementos desejados pelo grande público na crescente urgente da narrativa, não podendo gastar mais tempo para desenvolve-las, tornando a escolha de poucos episódios se tornaria um tiro no pé. Principalmente porque esses elementos foram ganhando escopos decisivos. A base está em “Jonarys”, um casal sem química e sem desenvolvimento por ter sido estabelecido rápido demais. Ambos, pilares, iriam ter de se juntar para combater as duas ameaças de uma vez para o agrado popular, mesmo sendo bem mais prático resolver logo a pendência do trono para a junção dos dois fazer mais sentido para um embate final e ter mais desenvolvimento sua chegada.

Como o roteiro acomodou-se no desejo do público, isso não acontece e a outra metade se torna uma outra preparação forçada de um segundo combate, justificada através de um plano mirabolante e completamente ilógico do Jon Snow. O resultado é assustador, em apenas um episódio todas as regras da série são quebradas, todos os clichês e conveniências possíveis são usados e o pior, não foi em qualquer episódio e sim no mais decisivo episódio da série, onde tudo estava posto em xeque. O capítulo seguinte até tenta desfazer a quantidade de furos deixados, mas não deu, o entorno inteiro já tinha sido prejudicado, vários pontos positivos mudaram de perspectiva e o caminho do fim ganhava sombras de decepção.

Nota da Temporada: ⭐⭐
1/2

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