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Game of Thrones: Especial – Parte 1 (Temporadas 1° a 4°, 2011 – 2019) – SEM SPOILERS

3 meses, 4 semanas atrás - Visto 64 vezes

Game of Thrones: Especial – Parte 1 (Temporadas 1° a 4°, 2011 – 2019) – SEM SPOILERS

1° Temporada (2011)

O fenômeno do momento que logo ganhará uma conclusão apoteótica e jamais vista na TV em termos de produção, começou com grandes pretensões logo no seu início, quando lançou o seu fantástico piloto. Dizem que as grandes series sempre demonstram seu potencial assim, logo de cara e sem muito escrúpulos. E são poucas as que conseguem em pouco mais de 1h, resumir tão bem sua essência, o jogo de intrigas, a complexidade dos personagens e a mitologia política criada a ser desenvolvida. É claro que manter a energia durante todo o percurso é algo muito arriscado para uma série ainda com orçamento reduzido e tantas possibilidades a serem exploradas, com isso essa 1° temporada lhe fisga bem a atenção no início para depois ir testando suas possíveis identidades e marcando já a possível transfusão de estilos.

Talvez por isso, essa assim como a 2°, não tenham tanto apelo popular ainda, pois o elemento fantástico era um mero pano de fundo, uma lenda dentro de um universo que ainda estava sendo concebido. O enfoque está nas regras políticas e geográficas daquele mundo e nesse sentido, a adaptação literal do primeiro livro das “As Crônicas de Gelo e Fogo” de Geogie R.R Martin é muito detalhista e didática sem parecer apelativa. Ela não é óbvia, então há sim quem fique confuso com a quantidade de informações apresentadas, mas o roteiro sempre busca uma dosagem certa delas, para criar uma gradativa de curiosidade no público, em um ritmo próprio não estafante a medida que desenvolve os personagens.

Esses que são apresentados como arquétipos claros, mas que vão demostrando pequenas subcamadas a serem transformadas ao longo das próximas temporadas. O único que não se encaixa tanto nisso é o fio condutor desse arco inicial e na época um dos principais chamativos para a divulgação da série, Sean Pean e o imortalizado Ned Stark, que cumpre o papel de ser um norte para o público e futuramente abrir as possibilidades da narrativa. Com tudo muito bem introduzido e algumas ótimas surpresas pontuais colocadas, essa temporada aproveita-se bem das suas limitações e entrega algo muito conciso dentro do que pode, para a sensação de quero mais, ser entregue e recompensada no futuro.

Nota da Temporada: ⭐⭐⭐⭐


2° Temporada (2012)

Se no início tínhamos claramente peças referentes para apresentar o universo ao público, agora é hora de expandi-lo com sutileza através das interações cotidianas dos demais. Diferente da última, o senso de urgência é um mero pano de fundo, quem já gostou do que viu certamente iria continuar após a série mostrar do que ela é capaz, então agora é preciso criar o costume para com os personagens e desenvolvê-los. Essa temporada sacramenta o momento em que o telespectador vai começar a decorar nomes, identificar as diferentes famílias, os artefatos, a geografia.

É como um bom livro que nos traz todos os detalhes importantes para o futuro depois que as regras foram estabelecidas, a expansão feita é gradual com o orçamento ainda limitado, mas ele marca o início da transição da parte política, ainda que ela seja o foco, para a parte fantasiosa, na inserção de elementos mágicos e em jornadas individuais para conhecer lendas. As subtramas são muito bem organizadas e distribuídas para além do tabuleiro de intrigas principais. Pode até parecer que elas quebram o ritmo, de fato, mais ameno da série como um todo, mas elas são de fundamental importância para o escopo principal funcionar. A trivialidade captura o espírito de que não existe ninguém a salvo, todos estão reféns do jogo de poder, direta ou indiretamente.

Quando tem noção dos entornos de cada núcleo, o roteiro acinzenta e cria uma perspectiva cada vez menos maniqueísta. Sem o maniqueísmo mais claro, podemos empatizar com cada lado e ficar mais intrigados em como eles irão se resolver e quem vai levar a vantagem de quem na busca do trono. Contudo, a objetividade mais acentuada do primeiro ano era mais estimulante para a quebra de expectativa, algo mais passivo nesse. O clímax na batalha de Blackwater é impressionante no visual para com a época que a TV estava vivenciando, mas não passa de uma constância de toda temporada, não é tão decisivo como outros grandes momentos da série. O objetivo talvez fosse de fato, encher de água a boca dos primeiros fãs a surgir com que reservava para o futuro, esquecendo de dar um tira gosto, mas ao menos o objetivo foi comprido.

Nota da Temporada: ⭐⭐⭐1/2

 

3° Temporada (2013)

Expandido e estabelecido, a saga dos tronos pode finalmente desfrutar da mescla mais objetiva dentro de uma construção mais paciente e aleatória, progressivamente planejada para cominar em um momento decisivo avassalador. A 3° temporada em resumo vai pegar o que tem de melhor nas duas anteriores e juntá-las ao escopo mais estimulante de storytelling, sem que este precise depender de conveniências, tudo tem um caminho para ser mudado ao acaso, um norte intrínseco para ser subvertido. É a dosagem ideal da estrutura mais regular de desenvolvimento e reconstrução dos personagens com a guinada de momentos chave que vão criando uma dependência no público de precisar saber os próximos passos dos viajantes acompanhados.

Aqui reside o momento onde a série conquista seu público no vicio das intrigas bem posicionadas e aleatórias, a cada capítulo há pelo menos uma cena onde mudam os rumos em diferentes níveis, normalmente mais sutis para não haver previsões da cominação da catarse. Talvez essa não seja a melhor temporada só por isso, ela parece planejada para um só momento e nela é extremamente eficiente sem dúvidas, mas por outro lado as características que levam até tal momento já faziam parte da identidade da série no início, então fica como um resultado de um planejamento em usar nos momentos certos a objetividade. Esse grande momento, o casamento vermelho, é aquele evento único na história televisiva e é onde a série comprova o auge narrativo em decisões corajosas.

O mais bacana é aonde ele é posicionado, quase como um anti-climax, de maneira estratégica a pegar o fator surpresa e revira-lo a um momento inesquecível. Ainda sobra tempo para explorar os por menores e aglomerá-los para um nível quase sádico de expectativas para o que pode vim no futuro. É o roteiro trabalhando com maestria os sentimentos do público dentro de um reforço da casualidade impressionante, nesse processo aprendemos que nada no tabuleiro de poder é definitivo. É uma temporada sacana, perversa até na forma no qual trilha seu caminho, mas foi isso que levou a série pelo menos nesse tempo, a um outro patamar de qualidade, se colocando como uma das possíveis grandes séries da história.

Nota da Temporada: ⭐⭐⭐⭐1/2



4° Temporada (2014)

O choque proposto pela gigantesca virada do “Casamento Vermelho” deixou as expectativas afloradas para o que o próximo ano resguardava, pelo nível sádico do evento no storytelling, era necessária uma resposta rápida ao grande acontecimento e ainda uma minuciosa pitada de como as consequências dele se reverberaram. A temporada entrega justamente isso, direcionando o foco em uma contra virada objetiva e presente já no início e explorando as consequências dela e da última em uma perspectiva mais detalhada. O roteiro é inteligente ao dentro dessa proposta não se acomodar em entregar tudo de bandeja, ele aciona uma ação emergencial refletida numa próxima logo em seguida, conversando com toda a dinâmica mais politizada de toda a primeira metade da série, só de uma forma mais urgente e sufocante.

Os diálogos mesclam todas essas questões de maneira sublimemente organizada e ainda sobra espaço para no fundo, desenvolver uma ameaça maior guincho para a parte mais fantasiosa. Novas peças fundamentais são inseridas com segurança, enquanto o demais desdém de um destaque inesperado em certas situações. O roteiro valoriza todos os subplots com a mesma intensidade, pois quando não distribui vários como o de costume, estrategicamente dedica alguns episódios exclusivos para um só, para que os momentos chave ganhem um peso maior ao serem desenvolvidos e fechados em um mesmo capítulo de uma forma mais impactante. Em suma, todos os elementos bons do seriado são elevados a enésima potência, cada núcleo vive seus momentos mais emblemáticos, bem seu elenco no auge de suas performances.

É também o grande triunfo orçamentário da série, as coreografias de batalha são mais elaboradas, as cenas de ação são mais épicas, o senso de grandiosidade de Westeros é mais sentido em todos os elementos cênicos. É onde houve uma mistura perfeita entre o espetáculo narrativo e o visual. Ainda que várias liberdades criativas para além da adaptação do livro tomadas tenham prejudicado o rumo da série no futuro, nessa temporada quando foram inseridas, só reforçavam seu âmbito ambicioso e de larga escala. Game of Thrones levou seu auge a outro patamar e consolidou o ano mais marcante da série.

Nota da Temporada: ⭐⭐⭐⭐⭐

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