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Homem-Aranha no Aranhaverso (Spider-Man: Into the Spider-Verse, 2018) - Crítica

3 meses, 1 semana atrás - Visto 159 vezes

Um dos personagens pelo qual tenho uma profunda admiração é o homem-aranha. A cria mais adorada do falecido Stan Lee é uma das figuras na cultura pop na qual consigo me identificar com os dramas e dificuldades, além de compreender perfeitamente suas motivações para decidir se tornar um super-herói. Desde 2002 que os fãs desse personagem desejam ver um filme a altura da sua grandiosidade, sendo o mais perto que tivemos foi o ótimo "De Volta ao Lar" de 2017, e finalmente temos essa obra, que figura na lista das maiores animações dessa década.

  • Miles Morales (Shameik Moore) é um jovem negro do Brooklyn que se tornou o Homem-Aranha inspirado no legado de Peter Parker, já falecido. Entretanto, ao visitar o túmulo de seu ídolo em uma noite chuvosa, ele é surpreendido com a presença do próprio Peter (Jake Johnson), vestindo o traje do herói aracnídeo sob um sobretudo. A surpresa fica ainda maior quando Miles descobre que ele veio de uma dimensão paralela, assim como outras versões do Homem-Aranha.

A direção fica a cargo do Bob Persichetti, Rodney Rothman e Peter Ramsey (esse último já tem experiencia no gênero com Rise of the Guardians, de 2012) e aqui, eles são muito bem sucedidos ao fazer uma animação diferente de qualquer outra que você verá no cinema. Spider-Man: Into the Spider-Verse é uma joia cinematográfica rara de se encontrar, utilizando os melhores elementos do sub-gênero, misturado com um talento técnico e um texto simplesmente fantástico.

E já que falamos dele, o Roteiro do Phil Lord é genial ao pegar uma história "conhecida" do grande público e desenvolve-lá de forma revisionista e conseguindo atrair a atenção do espectador a todo momento, respeitando a mitologia desse universo e criando uma narrativa envolvente e energética, com diversas ideias brilhantes, que, ao serem bem executadas, transformam uma trama aparentemente "simples" e "familiar" em uma das experiências cinematográficas mais incríveis dos últimos anos. Os diálogos são simplesmente fantásticos, com uma injeção cuidadosa de humor e drama nas interações, sem nunca perder a sua coesão.

Há alguns twists e reviravoltas que são imprevisíveis e surpreendem o espectador a todo momento, as piadas e os momentos de humor são perfeitamente dosados com as sequências mais sérias e emocionantes. Há também diversas referências muito bem encaixadas, algumas são bem óbvias (como a sequência envolvendo a origem resumida do homem-aranha) e outras, que somente os mais aficionados pelo personagem principal vai reconhecer (como no momento onde o Miles abre sua lista de contatos). A Linguagem narrativa da obra é deslumbrante, com inserções e elementos visuais que emulam o visual de uma HQ, como os balões de pensamento dos personagens. 

A Animação desse filme é sem precedentes, desde da perfeita textura dos personagens e dos movimentos, que deixam certas cenas com um aspecto foto-realista, até o belíssimo trabalho de iluminação, absolutamente tudo funciona perfeitamente e torna o visual da obra um verdadeiro colírio aos olhos. A Cinematografia enche a narrativa de cores fortíssimas e uma palheta que alterna perfeitamente entre tons quentes e frios, especialmente nas composições avermelhadas. As sequências de ação são perfeitas, com um perfeito controle do ambiente, além de um cuidado com os enquadramentos.

A Trilha Sonora do Daniel Pemberton evoca um senso épico e pontua musicalmente bem os momentos emocionais da narrativa. O uso das músicas é perfeito, nunca forçado ou destoante, geralmente com canções de hip hop ou rap. A Montagem é ágil, transpassando as sequências com um controle de tom simplesmente ótimo, em alguns momentos, lembrando o trabalho do Edgar Wright em Scott Pilgrim vs. The World (2010). A produção de arte foi extremamente feliz ao criar uma ornamentação visual completamente diferente das demais animações com diversas cores e inserções visuais.

Outra coisa que funciona perfeitamente são os personagens: o Miles Morales é um protagonista fascinante, o drama dele é completamente plausível, a jornada de evolução e auto-descoberta do personagem é muito convincente e envolvente, é um super-herói simplesmente impecável. O Homem-Aranha é muito diferente do que o espectador casual está acostumado: mais sarcástico, acima do peso, mais velho e muito divertido. A Spider-Gwen tem pouco pra fazer, mas exibe um carisma inigualável. A Peni Parker, o Homem-Aranha Noir e o Peter Porker tem menos presença, mas tem ao menos uma cena para brilhar. 

(Nota: A dublagem brasileira ficou bem competente, mas se for possível, assista no áudio original, tenho certeza que a experiência será mais prazerosa).

Spider-Man: Into the Spider-Verse é um verdadeiro respiro, depois de todos os erros que a Sony cometeu com o gênero animação, e, especialmente com a franquia do Homem-Aranha, entregando aos fãs, um filme emocionante, belo e inspirador, que se qualifica como uma das melhores obras de 2018 e a melhor animação do ano passado.

Nota: ⭐⭐⭐⭐⭐

Filmes Animação Crítica

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Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.