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A Rede Social (The Social Network, 2010) - Crítica

1 semana, 6 dias atrás - Visto 46 vezes

“Ninguém gosta de você não é porque você parece nerd ou estranho. É porque você é um babaca.”

Essa é uma das frases proferidas pela personagem da Rooney Mara durante uma conversa com Mark Zuckerberg (personificado por Jesse Eisenberg), que acontece durante os minutos iniciais de A Rede Social e representa boa parte do que a narrativa nos mostra sobre a figura por trás de uma das maiores criações do século: o “Facebook”.

  • Em 2003, o estudante de Harvard e gênio da computação Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg) começa a trabalhar em um novo conceito que acaba se transformando em uma rede social global, o Facebook. Seis anos mais tarde, ele é um dos bilionários mais jovens do planeta. Mas seu sucesso sem precedentes traz complicações legais e pessoais.

Quando um excelente roteiro está em completa sintonia com uma direção exemplar, o resultado é uma experiência cinematográfica realmente fascinante, algo que ocorre aqui. Tanto o texto de Sorkin, quanto a execução de Fincher tem uma conexão absolutamente perfeita, o que acaba culminando em uma das biografias mais honestas e realistas que tive o prazer de assistir.

Começando pelo roteiro: Uau! A narrativa proposta por Sorkin é muito bem estruturada, com duas linhas narrativas (uma no passado, mostrando todo o processo por trás da criação do Facebook e a outra no presente, onde acompanhamos os dois processos na qual Mark enfrentou) trabalhadas de forma organizada, com uma dosagem equilibrada entre ambas e criando interesse do seu público por cada uma delas.

A Montagem exerce uma excelente função nessa área: há momentos onde três acontecimentos estão ocorrendo simultaneamente e a edição intercala entre ambas com uma fluidez impressionante, além de oferecer agilidade ao ritmo da obra, são duas horas de filme que passam rapidamente e o espectador praticamente não sente o peso do tempo (algo que geralmente me afasta de algumas biografias).

A melhor virtude dos textos do Sorkin, sem dúvidas são os Diálogos: as interações entre os personagens do Jesse Eisenberg e Andrew Garfield poderiam se tornar cansativas, pois muitas envolvem termos incompreensíveis para os mais leigos. Porém, graças ao texto, as conversas são escritas e executadas com uma fluidez impressionante. Basicamente, boa parte do filme é composta por duas - ou mais - pessoas interagindo (algo que o mesmo reproduziu no excelente Steve Jobs).

Mas, o destaque do roteiro está na forma como demonstra a figura central de sua biografia, Mark Zuckerberg. O texto não esconde os erros e o lado podre da personalidade do “fundador” do Facebook: o distanciamento social, egocentrismo/narcisismo de se sentir superior e a arrogância são elementos muito bem trabalhados, boa parte disso se deve a excelente performance de Jesse Eisenberg, que insere uma áurea anti-social e uma frieza muito bem vinda.

Outro que está ótimo é o Andrew Garfield como Eduardo Saverin, que representa o espectador durante aqueles acontecimentos, ele seria a “voz da razão” de Mark a todo momento, executando muito bem essa função. Merecem destaque o Armie Hammer (em ambos os personagens que ele dá vida na narrativa) e a Rashida Jones, que dão vida a coadjuvantes muito interessantes.

A direção de Fincher cria uma visão muito charmosa daquele ambiente, com enquadramentos arrojados e cheios de significado (como os planos em que vemos Mark solitário enquanto há diversas pessoas comemorando ao seu redor) e um Jogo de Câmera com movimentos constantemente horizontais, que conferem uma visão ampla dos espaços onde se encontram os personagens.

A Cinematografia é deslumbrante, com um excelente uso de tons quentes e uma leve combinação de cores esverdeadas, a Iluminação realça os espaços internos. O Design de Produção é cuidadoso com relação aos detalhes dos ambientes, e a Trilha Sonora do Trent Reznor e Atticus Ross introduz uma mistura de música eletrônica com melodias mais melancólicas que encaixa perfeitamente com o Tom da obra.

A Rede Social é um exemplo a ser seguido dentro das Biografias: nunca representa a figura central como perfeita, mostrando seus defeitos e qualidades de forma igualitária, além de vir acompanhada de um excepcional roteiro, movido a diálogos cuidadosos e uma direção equilibrada. Além de um final extremamente adequado, onde a personagem da Rashida Jones solta a constatação final do público:

“Você não é um babaca, mas está se esforçando para ser um”.

Definitivamente, o choque de realidade que Mark precisava…

Nota: ★★★★★

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Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.