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Pokémon: Detetive Pikachu (Pokémon Detective Pikachu, 2019) - Critica

3 meses, 1 semana atrás - Visto 96 vezes

Não é preciso desfrutar de todas as mitologias da cultura pop, para entender a sua importância. Mesmo sendo um universo infantil de muito gosto adquirido, é inegável o poder de maravilhamento de “Pokémon” seja em qualquer mídia onde ele se encontra. Detetive Pikachu surge como uma grande surpresa em 2019, uma história de certo modo original pela americanização hollywoodiana do game japonês, em uma grande produção até, para o normalmente visto em adaptações de games, conhecidas por um terrível histórico, quase uma maldição de nunca conseguir trazer filmes bons.

O maior triunfo dessa aventura está na sua sinceridade e desapego. Ele foca claramente no seu público alvo e vai sem medo nele na forma como estabelece seu universo. Parece preguiçoso de ponto de vista didático, mas faz sentido, principalmente analisado dentro do humor infantilmente mais sagaz para entretenimento de fundo a investigação, ao story telling mais objetivo para o público não alvo. Encaixando um subtexto básico com o drama da paternidade e o retorno nostálgico a infância como locomotor de motivação para o mistério fluir com proposito.

Basta Rob Letterman equilibrar essa mistura com harmonia, conseguindo pelo seu histórico em animações assumidamente mais bobas. Ele sabe trabalhar com o superficial e amarrá-lo de uma forma coerente e estimulante para o infanto juvenil e ainda de brinde entrega um mundo bem rico em detalhes. É muito bacana acompanhar os entornos de uma cidade moderna mesclada com os Pokémons, inclusive é aí onde o filme se apropria do fan service ao seu favor, para recompensar o nerd através do detalhismo e usufruir dele para movimentar a trama de forma crível.

O visual tinha de ser muito bem feito para isso funcionar, a animação surge com a típica proposta ultrarrealista corporalmente falando, características de live-actions atuais, mas não abandona o cartoon mais inocente, amplificando as emoções das expressões das criaturas a um nível em que a suspensão da descrença diminua. Nos olhares, a fofura dos Pokémons predomina de um jeito empático, contrastado pelo sacarmos e quebra do clichê de Ryan Reynolds, tipicamente inspirado na comedia de sua composição em Deadpool, encaixando para amplificar a galhofa ou até mesmo fortalecer os vínculos dramáticos.

O grande pecado reside no terço final, onde as resoluções precisam se justificar fora da proposta, o equilíbrio se perde e a possível cafonice prevista para todo filme afunilam e passam a suspensão da descrença. Não é um grande filme porque não quer ser e não há problema nisso, o filme foi vendido assim desde o seu anúncio e dentro dele, a diversão é garantida pela conversa direta com todos os admiradores de Pokémon.


Nota: ⭐⭐⭐

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