Logo Logo2

Vingadores: Ultimato (Avengers: Endgame, 2019) - Crítica

4 meses, 3 semanas atrás - Visto 223 vezes

Como se faz um épico? Como se fecha um ciclo de onze anos, vinte e dois filmes e mais de dezessete bilhões em bilheteria? Como não decepcionar centenas de milhares de fãs que se corroem pela ansiedade por um filme? Em Vingadores Ultimato, filme evento em que culminam todos os acontecimentos da franquia até aqui, a Marvel responde a todas essas perguntas.

 

Após os fatídicos acontecimentos do filme anterior, que chocaram o mundo e provaram a já conhecida força dos personagens dessa franquia, os Vingadores restantes, e não por acaso todos os originais presentes em Vingadores(2012) entre eles, precisam lidar com a perda de amigos e entes queridos até o momento em que descobrem uma remota chance de consertar o estrago causado por Thanos.

 

É impossível falar sobre esse filme sem reconhecer o extremo cuidado dos irmãos Russo, não só na direção competente desse filme, mas também no estabelecimento dos conceitos que permitiram que a história chegasse a este ponto. Embora exista o ar soturno decorrente da perda e da culpa sobre o que aconteceu em Vingadores: Guerra Infinita (2018), esse filme eleva a fórmula Marvel em diversos aspectos. A ação é impecável, sabendo o momento para alternar entre a escala micro e macro de modo totalmente orgânico sem perder aquele elemento empolgante do trabalho em equipe. Nesse ponto cabe destacar a facilidade com que se balanceia os momentos de cada personagem, focando mais em uns do que em outros sem se deixar prejudicar pelo mal do subaproveitamento. Estamos falando de algo grande, e fluidez é um ponto chave aqui. Essa fluidez também colabora com o tom, que não tem grandes problemas para equilibrar o peso dramático com o bom humor característico do estúdio. Este traço, diferente do que se infere ao ver os trailers, é bem acentuado como sempre, tendo aqui apenas um autocontrole maior do que em outros pontos da saga. Algumas piadas inconvenientes estão aqui, mas a absoluta maioria é precisamente encaixada e funciona bem.

 

Outro ponto forte do filme é o visual. Os enquadramentos engrandecem os personagens e criam imagens inesquecíveis até pra quem não acompanha esse universo com tanto fervor, alguns shots aqui dariam belos emoldurados. A história em seu cerne, exige muita competência na montagem, nos efeitos visuais e na maquiagem, e encontra. Além do que se observa de grandioso, está presente aqui muito trabalho visual indissociável do real, o que sempre é um bom sinal.

 

A respeito do roteiro, assinado por Christopher Markus e Stephen McFeely, é um trabalho de alguns deslizes e muitos méritos, respondendo satisfatoriamente a todas as perguntas feitas na introdução desse texto. É um encerramento de arco como deve ser, grandiloquente, imprevisível, emocionante e marcante, que nunca se esquece de celebrar a jornada e agradecer aos fãs por tê-la acompanhado. O longa assume conscientemente escolhas convenientes e formulaicas de roteiro, principalmente em seu segundo ato, que em certo momento chegam a passar muito do ponto. Mas, em contrapartida, é por meio desses chamados “defeitos narrativos” que o filme encontra alguns dos seus melhores momentos. É um texto que confia em si mesmo ao ponto de ir por caminhos inesperados sem se poupar das auto referências, intenso ao ponto de emocionar várias vezes por diferentes motivos, entregando e sendo dentro de si um greatest hits do fan service, uma carta de amor aos fãs da Marvel e do gênero. Isso quer dizer, necessariamente, que não é um filme que agraciará a todos da mesma forma. O roteiro conveniente, as piadas, as referências, as frases feitas e certamente vão incomodar bastante a alguns, embora o filme cumpra bem o papel a que se propõe.

 

Vingadores Ultimato é a completa catarse, o desfecho grandioso e recomeço do que foi desenvolvido ao longo de uma década, além do suprimento da quase infindável expectativa nerd. São três horas que se passam num piscar de olhos, com uma lagriminha escorrendo do lado.

⭐⭐⭐⭐ 1/2

Filmes Crítica Vingadores Marvel Crítica Filme Lançamento Estreia Disney

Compartilhar nas redes sociais

Sobre o Autor

Breno

Colaborador, crítico de filmes.

Um baiano totalmente apaixonado por cinema desde que andava de velotrol pelos corredores simétricos do Hotel Overlook, hoje perseguindo qualquer migalha da flor perfeita e rara do conhecimento como o Col. Douglas Mortimer persegue sua vingança. Músico de quartinho, fã dos Beatles, corintiano e estudante de Direito nas horas vagas.