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The Dirt - Confissões do Motley Crüe (The Dirt, 2019) - Crítica

4 meses, 3 semanas atrás - Visto 148 vezes

Sexo, drogas e rock n' roll. Apesar de o rock e suas variantes não estarem mais no topo das paradas, esse mantra das grandes bandas sobrevive e ainda divide o mundo entre admiração e repulsa. Para o bem ou para o mal, o Motley Crüe é uma das bandas que melhor se encaixa nessa definição.

Após o apenas mediano Bohemian Rhapsody ter um desempenho tão bom nas bilheterias e premiações, tudo indica que cinebiografias family friendly de bandas e grandes nomes do rock se tornarão uma tendência em pouco tempo. Nesse contexto, a Netflix lançou no início do mês de abril, The Dirt - Confissões do Motley Crüe, prometendo expor sem restrições a música e as loucuras da emblemática banda californiana de glam metal. Apesar de alguns problemas, se sai bem nisso.

O longa não deixa de seguir a velha forma de ascensão e queda comum das biografias, mas sua falta de vergonha de ser o que é o torna bastante divertido de assistir. Baseando seu roteiro num livro de relatos da própria banda, os argumentistas Amanda Adelson e Rich Wilkes inteligentemente optam por manter a abordagem focada no ponto de vista dos integrantes, de dentro pra fora, permitindo uma genuína intimidade com os personagens. Deste modo, também são fluidas as transições que a história pede, mantendo um ritmo acelerado ao contar as causas do sucesso do Crüe na primeira metade, sem deixar de dar tempo para que se sinta o impacto das consequências do mesmo sucesso na segunda.

A tal pessoalidade também permite uma narração que conduz a história quando necessário, cumulada com firulas visuais que tornam tudo ainda mais dinâmico. Por vezes o tom se perde nessa brincadeira e gasta mais tempo que o necessário para estabelecer algumas coisas. Em contrapartida, cenas que eu condenaria por não terem um propósito narrativo muito bem definido, são tão divertidas que se tornam perdoáveis. Um exemplo é a sequência que acompanha a rotina do baterista Tommy Lee, colocando o espectador em primeira pessoa para contemplar com a visão chapada dele a loucura que era um dia naquela vida.

Ainda sobre o visual, nem todas as escolhas são bem vindas. A fotografia com cores vivas e granulação nas bordas não funciona bem em auxiliar a reconstrução da década de 80, e em conjunto com alguns efeitos visuais deploráveis, dá à produção uma cara produção televisiva que diminui a obra.

Todos os protagonistas tem sua personalidade bem definida, embora uns tenham mais atenção do roteiro que outros. A unidimensionalidade de alguns (embora não seja um problema por caracterizar essas pessoas na vida real) e o superprotagonismo de Nikki Sixx chegam a incomodar em alguns momentos, mas as atuações surpreendentemente boas impedem a majoração desses prejuízos.

The Dirt tem problemas que são comuns em filmes do gênero e produções originais da Netflix, mas cumpre sua pretensão de maneira dinâmica e pautada na realidade. Certamente vale seus 107 minutos de duração.

🌟⭐⭐⭐⭐⭐1/2

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Sobre o Autor

Breno

Colaborador, crítico de filmes.

Um baiano totalmente apaixonado por cinema desde que andava de velotrol pelos corredores simétricos do Hotel Overlook, hoje perseguindo qualquer migalha da flor perfeita e rara do conhecimento como o Col. Douglas Mortimer persegue sua vingança. Músico de quartinho, fã dos Beatles, corintiano e estudante de Direito nas horas vagas.