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Coraline e o Mundo Secreto (Idem, 2009) - Crítica

5 meses atrás - Visto 83 vezes

São poucas animações conseguem deixar tanto o público adulto e infantil "assustados" e "pertubados" e Coraline se encaixa perfeitamente dentro desse grupo. Claro que isso é algo muito subjetivo, pois o que me assusta não vai necessariamente assustar a você, mas há algo de provocante nesse filme que leva o espectador para uma experiência reflexiva, profunda e aterrorizante em determinados momentos, só que genialmente disfarçado de um desenho para as crianças, que certamente devem ter saído desse filmaço que fez 10 anos recentemente, no mínimo traumatizadas.

  • A História mostra a jovem Coraline (dublada por Dakota Fanning) se mudando para um lugar chamado de "O Palácio Cor-de-Rosa", onde vivem pessoas bastante peculiares e excêntricas. Pelo fato de estar entediada e não ter a atenção de seus pais, ela descobre uma porta muito pequena que a leva para um mundo "mágico", onde todos ao seu redor, tem botões no lugar de olhos e seus "outros pais" lhe enchem de afeto. Porém, aos poucos ela percebe que nada é o que realmente parecia ser

Essa é a sinopse básica. Se você não conhecia o filme ou já sabia da existência, mas nunca teve muito interesse de pesquisar sobre, não veja nada e corra direto para assistir ao filme. Se bobear, não leia a crítica, pois qualquer fragmento sem spoilers pode entregar elementos a respeito da obra e garanto que a experiência será muito mais interessante caso você entre na obra sem saber absolutamente nada.

Ok, vamos lá...

A obra, adaptada de um conto do mestre Neil Gaiman, é movido por dois tons dosados com perfeição durante o filme: um mais engraçado e lúdico para atrair as crianças e outro mais sombrio e pertubador, certamente seguindo o estilo da história original (que não li, diga-se de passagem). A Direção do Henry Selick é atrativa, não somente por como ele conduz a técnica do stop-motion, mas como ele executa a trama (irei falar dos dois separadamente mais abaixo).

Em relação a animiação, não há nem o que comentar: por mais perfeita que seja os traços digitais e o 2D, o stop-motion tem um charme e uma beleza que nenhum desses estilos tem. Desde do controle dos movimentos de seus personagens, até o belo trabalho de Cinematografia, capturando com deslumbrantes enquadramentos, a lindeza dos detalhes da animação, tudo é feito com um exímio controle e atenção. A Trilha Sonora do Bruno Coulais insere um senso lúdico e misterioso que encaixa perfeitamente com o tom da narrativa.

E chegamos ao elemento que torna esse filme uma verdadeira obra-prima: o roteiro. A história parece simples a primeira vista, mas a cada desdobramento narrativo a riqueza do universo aprensentado em Coraline se expande e, quando o espectador menos espera, se vê envolvido naquela trama, que é muito inteligente e está sempre a um passo a frente do público. Outro bom elemento é os seus personagens: enquanto uns são mais usados como alívio cômico, outros são mais profundos e cheios de camadas (um perfeito exemplar é o Gato, que tem diversos conceitos interessantes ao seu redor).

Dentro dessa trama bem executada e que consegue atrair tanto crianças como adultos, há diversas temáticas profundas e relevantes: no centro da obra, se encontra um intenso estudo sobre o imaginário de uma criança e a forma que elas lidam com momentos difíceis como se adaptar a uma casa nova, distante de tudo que ela conhecia e já tinha se habituado anteriomente. O filme ainda discute sobre a importância dos pais na vida de uma criança e como a ausência de figuras paternas afeta diretamente na convivência da mesma com eles. A Coraline é uma das personagens mais bem trabalhadas desse gênero, a força de sua personalidade e a coragem que se constrói durante o filme deixa a protagonista mais fácil de se relacionar.

Depois de 10 anos, Coraline não só continua excelente como evolui constantemente a qualidade da primeira impressão que tive. Com uma mensagem bela sobre dar valor ao que já temos, temos aqui uma animação divertida, engraçada, profunda, arrepiante, visualmente encantadora e encerra com um ato-final absolutamente enervante e uma conclusão doce e ótima. Uma das melhores produção do gênero.

Nota: ★★★★★

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Sobre o Autor

João

Colaborador, analista de filmes.